Prestigiado no Festival de Gramado, na categoria de Melhor Longa Brasileiro, “Um Animal Amarelo” dirigido pelo cineasta Felipe Bragança, passeia pelo real e o lúdico.

À primeira vista, o filme nos apresenta Fernando (Higor Campagnaro) um cineasta brasileiro medíocre que sonha em produzir um filme sobre a história de seu avô. Homem branco ganancioso e também medíocre.

Em busca de riqueza e sucesso, Fernando viaja para Moçambique.

Contudo, no continente Africano, a história do estúpido cineasta cagão começa a se misturar com a história do Brasil. Ambos, Brasil e Fernando, se mostram cada vez mais perdidos. Pouco sabem sobre sua própria história e estão fadados a cometer os erros do passado. Por meio do seu protagonista, Bragança nos faz passear pelas feridas abertas do nosso país – às vezes cômicas, às vezes trágicas.


Todo filme é acompanhado da narração da moçambicana Catarina (Isabél Zuaa). Apesar de auxiliar no processo reflexivo do filme, o recurso se torna exaustivo por ser tão explicativo. A personagem de Isabél Zuaa é um peça importante do filme. Ela nos aproxima do protagonista e o leva para outro ponto alto do filme: Portugal.

No País lusitano, Fernando enfrenta o auge de sua decadência.

Em síntese, “Um Animal Amarelo” é um filme sobre a formação identitária brasileira. Que utiliza signos críticos e fantásticos para nos fazer refletir sobre a história do nosso país, marcada pela colonização européia. Com uma lógica quase teatral, o diretor consegue colocar na tela os sentimentos que todo brasileiro tem dentro do peito: dor e angústia.

Ficha Técnica

Brasil, Portugal, Moçambique, 115 min.

Direção: Felipe Bragança

Roteiro: Felipe Bragança

Produção: Marina Meliande, Luis Urbano

Elenco: Higor Campgnaro, Isabel Zuaa, Catarina Wallenstein, Tainá Medina, Thiago Lacerda, Matamba Joaquim, Sophie Charlotte, Lucilia Raimundo, Marcio Vito, Digão Ribeiro, Matheus Macena, Samuel Toledo

Direção de fotografia: Glauco Firpo

Montagem: Marina Meliande, Karen Black

Som: Valéria Ferro, Miguel Cabral

Compositor: Jonas Sá, Ricardo Dias Gomes

Direção de Arte: Dina Salem Levy

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