Filme abriu a 9º edição do festival Olhar de Cinema aconteceu esse mês, de 07/10 a 15/10.

‘Para Onde Voam as Feiticeiras’, é um documentário que acompanha performers LGTBQIA+ pelas ruas de São Paulo.  Com extrema generosidade, Preta Ferreira, Wan Gomes, Vitor Lopes, Mariana Mattos Martins, Gabriel Lodi, Ave Terrena Alves e Fernanda Ferreira Ailish nos levam a um processo de desconstrução.

Performance, emoção e vivência

Entre câmeras soltas e close up’s, vamos nos aproximando desses personagens, que são deixados às margens da sociedade. De forma, ora encenada ora improvisada, o documentário se desdobra para alcançar e dar vozes a esses indivíduos. A locação escolhida para acomodar essas vozes não poderia ser outra: a rua. Local que pertence a todos, mas que também oprime. Vemos índios, pretos, mulheres, gays e travestis ocupando esse espaço e questionando as opressões que sofrem.

Sendo o Brasil um país que mata seu povo originário e que transborda discursos reacionários, o cinema nacional tem se servido cada vez mais de filmes que questionam esse sistema. Mas “Para Onde Voam as Feiticeiras” se destaca pela sua forma, quebrando com o modelo formal de documentário. Com discursos fortes, e igualmente belos, o filme de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral nos educa e nos emociona. Os diretores exploram as performances artísticas dos personagens como forma de narrativa do filme.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Para-onde-voam-as-feiticeiras_plano_critico.jpg

Acompanhamos as cenas se fragmentando em performances, conversas, músicas, danças, interferências urbanas e desabafos, explorando a diversidade em seu máximo. Porém, o filme não se limita a interferências positivas, trazendo também a violência sofrida durante a produção do documentário, ponto importante para a narrativa abordada.

Se não fosse pelas interferências violentas, que escancaram o preconceito, enquanto assistimos o documentário viveríamos em um mundo ideal onde todos têm voz. Em que o diálogo existe e as minorias se entendem, mas sempre respeitando o local de fala do outro. Exatamente por esse motivo, o filme se faz tão necessário: é preciso que a gente aprenda, escute, respeite e tenha empatia com as pessoas. Trazer discussões como essa, com temática LGBTQIA+, nos coloca em posição de reflexão. Ato importante no processo de compreensão, amadurecimento e mudança.

Tags:

1 Comment

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *