M8 – Quando a morte socorre a vida, longa dirigido pelo cineasta Jeferson De, diretor do premiado filme Bróder e vencedor na categoria de melhor filme de ficção no Festival do Rio, chega aos cinemas em dezembro e promete alcançar amplo público. 

créditos: Vantoen Pereira Jr.

A denúncia

No longa, Jerferson De, traz luz, câmera e ação às denúncias do cotidiano da juventude negra que escapam as determinantes sociais de um corpo negro no chão e se reescrevem no esqueleto social. E, sobretudo, não perdem seu compromisso ancestral e coletivo com os seus.

O cinema do espetáculo e da estética, abre espaço também para o cinema crítico e de denúncia em uma narrativa não simplificada do genocídio da juventude negra no Brasil. Em M8 – Quando a morte socorre a vida, Maurício, personagem principal interpretado pelo ator Juan Paiva, se vê em meio ao conflito da racialidade dos espaços enquanto estudante universitário de uma renomada faculdade de medicina. Seu corpo negro em pé. no lugar de quem estuda, se confronta com os demais corpos semelhantes que foram caídos. Inomináveis e não estranhados pela branquitude hegemônica daquele espaço. Visto pela ótica dos olhos educados a não reconhecê-los pelo viés humano de corpos postos como altivos. 

A premissa desencadeada

O conflito é ativado quando Maurício se leva à descoberta da identidade de M-8. Assim é chamado um dos corpos mortos usado como estudo nas aulas de anatomia. No caminho, o compromisso passa a ser com a devolução do corpo para os familiares em um movimento de resgate de humanidade. O chamado envolve o personagem principal em meio a diferentes sentimentos, angústias e questões interseccionais do espaço ocupado por ele. A tomada do seu protagonismo nessa empreitada, de reconhecimento de si e da estrutura racista que o cerca, é acompanhada de perto pela mãe preta Cida. Interpretada por Mariana Nunes, a personagem é marcada pela encarnação ancestral da mais velha que guia, de quem está quando o Estado não está. 

Créditos: Vantoen Pereira Jr.

M8 – Quando a morte socorre a vida: do sensível ao simbólico

Religiosidade afro centrada, referência de personagem forte como Marielle Franco, construções de personagens reais e de lugares de saber. Além de liberdade de criação e experimentações estéticas que ambientaliza uma narrativa ímpar no audiovisual brasileiro. 

Assim, M-8 é uma produção que marca o encontro do sensível e do simbólico. Em um movimento profundo de reflexão das estruturas marcadas pelo racismo no Brasil, em suas múltiplas consequências. Coexistência estética do simbólico que constrói uma narrativa crítica, que escapam às armadilhas da representatividade no cinema. E explicitam o quanto a imagem não basta. Mas composta pela honestidade e responsabilidade de quem a produz, trilha caminhos de transformações estruturais dentro do meio audiovisual.

Confira o trailer

Tags:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *